Jovens de 17 estados definem prioridades em políticas públicas

Brasília – Dezessete estados encerram neste fim de semana suas Conferências Estaduais de Juventude. Grupos de jovens, entidades civis e gestores locais vão debater e definir quais são as políticas públicas prioritárias para a área. As conclusões serão levadas para a 1ª Conferência Nacional de Juventude, prevista para o final do próximo mês, em Brasília.

Segundo o secretário nacional de Juventude, Beto Cury, o processo de conferências configura o aumento dos espaços de participação para que a sociedade civil organizada debata com o Estado brasileiro as questões referentes a políticas públicas, fortalecendo o tema juventude como política de estado.

”É o primeiro processo de conferência num tema que é recente na agenda das políticas públicas. O fato de já termos tido cerca de 300 mil pessoas participando desse processo nas etapas anteriores nos municípios e conferências livres e em etapas estaduais que já aconteceram é um passo importante para que possamos afirmar o tema juventude como política de estado”, afirmou.

De acordo com o secretário, os debates nos estados incorporam decisões tomadas em fóruns de discussão municipais realizados em 830 cidades de todo o país. Cerca de 500 conferências livres também foram organizadas por iniciativa de grupos de jovens, e suas deliberações serão encaminhadas para a Conferência Nacional.

Cury disse que o diálogo com centenas de organizações ligadas à juventude vai permitir avaliar o que foi feito desde 2005, quando foi criada a Política Nacional de Juventude , e aprimorar iniciativas, como o ProJovem e o ProUni e a ampliação dos centros federais de educação tecnológica (Cefets), centradas principalmente na elevação da escolaridade, na qualificação profissional.

O secretário informou que os investimentos foram voltados para essas áreas porque estudos mostram que educação e oportunidades no mercado de trabalho são as duas grandes demandas da juventude.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 50,5 milhões de brasileiros, um quarto da população do país, têm entre 15 e 29 anos. Deles, 4,5 milhão estão desempregados, fora da escola e sem ensino fundamental completo.

“Qual é a perspectiva que esse jovem tem? Nessa faixa etária, é muito difícil motivá-los a simplesmente voltar à escola regular, é preciso incentivá-los”, argumentou . Se você oferece a ele a oportunidade de voltar a estudar, mas também um currículo integrado para aprender uma profissão, com inclusão digital, ele pode continuar seu ciclo educacional e ter melhores oportunidades de trabalho. Ao gerar oportunidades para esses jovens, está dialogando também com outros problemas, como a violência, por exemplo”, concluiu.

Estudos da Organização Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) indicam que a taxa de homicídios entre os jovens no mundo é duas vezes e meia maior do que entre pessoas de outras faixas etárias. De acordo com a Unesco, nas últimas décadas, o número de assassinatos cresceu 81,6% entre a juventude, enquanto se manteve estável no restante da população.

Adriana Brendler
Repórter da Agência Brasil